Primeiro as coisas primeiras — e tudo começou com a fotografia

Sempre tem uma primeira vez para tudo que se faz na vida. No entanto, seja por pouca idade ou por falta de importância do acontecimento, a maioria desses momentos se esvai da lembrança. Não lembro, por exemplo, a primeira palavra que disse ou que escrevi, a primeira música que ouvi e gostei muito, a primeira vez que fui à praia, ou a primeira vez que comi feijão com arroz. Em meio às lembranças soltas da infância, a primeira coisa que surge em meu pensamento quando se trata de uma “primeira vez” é fotografar.

Posso recordar como se tivesse acabado de acontecer a minha estreia pressionando um disparador: tinha por volta dos três ou quatro anos e estava de viagem em Fortaleza, no Ceará. Sendo filha única naquela época, eu era o alvo preferido dos meus pais e qualquer novidade merecia um click. Eis que fascinada por aquela maquininha fabulosa de congelar momentos, decidi que era chegada a hora de desempenhar um novo papel. De personagem queria passar a ser narradora. E foi minha mãe quem me deu as instruções necessárias.

“Segura assim, olha por aqui e aperta esse botão”, ela me disse, fazendo tudo parecer absurdamente fácil. Fez uma foto minha para mostrar como funcionava, e em seguida me entregou a câmera – era uma dessas compactas automáticas populares da década de 90. Então fiz a foto dela e ansiei pela revelação do filme, que só aconteceu quando voltamos para casa, em Recife. E o meu deslumbre em ver a foto pronta, a imagem da minha mãe capturada por mim, foi igual à reação de um pintor quando termina sua obra prima (embora na verdade a foto não tivesse sequer o mínimo enquadramento).

Pensando sobre isso agora, percebo como aquele ato me marcou de uma forma irreversível. A segunda foto já não me vem mais à memória. Nem a terceira, tampouco a quarta ou quinta – sei que outras fotografias aconteceram naquela mesma viagem. Mas sigo fotografando, com um amor e uma curiosidade que só crescem. Hoje (tenho um descontrole e) contabilizo quase dez câmeras. A maioria delas é analógica porque poucas coisas ainda se comparam à beleza e ao prazer de fotografar em película. Tendo explicado tais desventuras, não será surpresa então encontrar por aqui a partir de agora algumas histórias de minhas experiências no mundo fotográfico e, claro, muitos registros visuais.

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